O EU INTERIOR (Parte 1)
“(...) Porque há uma faísca em você
Você só tem que acendê-la e deixá-la brilhar.”
(Firework – Katy Perry)
“Querido, por favor, nunca se sinta
Como se fosse menos do que perfeito pra caramba.”
(Fuckin Perfect – Pink)
“(...) Eu sou bonita à minha maneira
Pois Deus não comete erros
Estou no caminho certo, baby
Eu nasci assim.”
(Born This Way – Lady Gaga)
Aceitar a si mesmo é pop. Está no topo das listas de músicas mais ouvidas nas rádios, nas baladas, nos vídeos do YouTube e outras mídias digitais. E esses são apenas três
exemplos mais recentes. A aceitação de si já é cantada há tempos no rock, no “emo”, no pop.
De modo geral, podemos dizer que a geração Y (nascidos de 1978 a 1990) trouxe à tona a discussão sobre as diferenças individuais. A noção de que um sistema social só funcionará bem quando seus indivíduos estiverem alinhados com seus próprios valores. Mas em termos práticos,
o que isso realmente significa?
E até onde essa “onda pop de autoafirmação” pode ser realmente relevante?
Alguma vez você já pensou em quem você é? O que defende?
Não estou falando dos papéis sociais que todos exercemos. Você pode ser amigo, irmão, empregado, marido/esposa, pai/mãe, filho/filha, tudo ao mesmo tempo, mas estas são apenas partes de você. Não representam o que você é, fundamentalmente, em sua essência.
Para conhecer o seu “eu interior” é preciso conhecer a sua finalidade, seus valores, suas visões, motivações, objetivos e crenças. Não o que foi determinado pelos outros, mas o que você descobriu por conta própria.
Imagine uma flor, como um girassol ou uma margarida. Suas várias pétalas cercam um núcleo central que as sustentam. Seu “eu interior” é essencialmente como esse miolo central e as pétalas que o rodeiam são os diversos papéis que desempenhamos em nossas vidas, cada um com seu próprio conjunto de valores e expectativas socialmente definidas, extensões de nós mesmos, mas que não representam inteiramente quem somos.
Sou um empregado para meu chefe, um filho para meus pais, um amigo para meus amigos, um blogueiro para meus leitores, mas sou mais do que isso. Estes são apenas papéis e títulos. Nenhum deles retrata inteiramente quem eu sou, nem mesmo a soma de todos eles. O eu interior é algo que não pode simplesmente ser definido ou marcado por qualquer rótulo.
E qual a importância de encontrar o seu “eu interior"?
É comum as pessoas se enxergarem somente dentro de um determinado papel, por exemplo, como amigo, parceiro, funcionário, filho/filha, pai/mãe e assim por diante. Algumas pessoas passam a vida inteira se construindo em torno de tais identidades, enraizando sua existência numa situação muito específica ou colocando outra pessoa como foco central de sua vida que acabam não sendo capazes de articular suas próprias visões, objetivos e sonhos além do que é imposto pela “situação” ou “acaso”.
E assim que a situação muda ou que a pessoa já não mais faça parte de sua vida entram em um estado de perda total, pois, o apoio no qual estavam construindo sua vida já não existe mais. Como se o núcleo da flor desaparecesse e todas as pétalas se espalhassem aleatoriamente porque não há mais nada para mantê-las juntas. É a sensação da vida que se foi e nada mais faz sentido.
No entanto, seu verdadeiro eu é mais do que ser apenas alguém para outra pessoa qualquer que seja. É por isso que é importante encontrar o seu eu interior. Você é o dono de sua própria vida e vive sua vida para si mesmo. Sua vida é o que é definido por você, e não o que é definido por seus papéis. Se você não está conectado com quem você realmente é, você corre o risco de apenas viver sua vida pelos outros. Perseguindo os objetivos alheios, vivendo para os outros, criando expectativas e projeções que não são o que você realmente quer.
Mesmo que hoje você não tenha uma total clareza sobre quem é o seu “eu interior”, é bem provável que certos aspectos dele já estejam expostos no seu dia-a-dia. Por exemplo, se você costuma se enaltecer por ser responsável por seus pais, provavelmente “responsabilidade” é um de seus valores internos. Se você sente uma forte necessidade de estar sempre disponível para seus amigos, então “confiança” provavelmente seja um valor importante para você. E por aí vai.
É perfeitamente normal não conhecer o seu eu interior. Trata-se de um processo de descoberta contínua ao qual não estamos e nem fomos acostumados. A reflexão, a introspecção e a autoconsciência não são incentivadas no contexto social o que dá espaço para a mais pura repetição de padrões. Dessa forma fica mais fácil quando as respostas vêm prontas e embaladas para serem consumidas.
Vai depender exclusivamente de nós se essa “onda pop de autoafirmação” inspirará reflexões mais relevantes ou será apenas mais um produto muito bem embalado para ser rapidamente consumido e descartado.


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