2011/06/18

Conteudista - isso existe?

Vamos falar do respeito que o criador de conteúdo merece.

Para começar, uma questão de nomenclatura, que pode ser mais complexa do que aparenta à primeira vista.

Como definir o nome de sua atividade? Webwriter? Redator de web? Jornalista? Conteudista?

Depende em grande parte do tipo de serviço que você é capaz de oferecer ao cliente.

Se você está sendo contratado para administrar todo o conteúdo de um portal, não importa o nome do cargo (que provavelmente será Editor ou Gerente de Conteúdo):
você estará exercendo uma função editorial, portanto, jornalística.

Se esse cargo já estiver ocupado e você for chamado para integrar uma equipe, tendo como função correr atrás das últimas informações sobre determinado acontecimento atual, digamos na política ou nos esportes, ou de entrevistar personalidades cujo perfil interessa ao cliente, então, seu trabalho também não difere daquele que é realizado pelos repórteres em qualquer redação de jornal no Brasil e no mundo.

Contudo, se sua missão para o cliente é produzir conteúdo sob a forma de artigos ou textos opinativos – ou simplesmente formatar o site para o leitor  - através de textos simples de apresentação, uma orientação verbal (ou não–verbal, através de ícones) para a navegação do site, produzir FAQs, enfim, toda a parte textual da arquitetura do site (não só isso, mas falaremos a respeito mais adiante), então você é um webwriter.

Por que em inglês?.
Uma pergunta freqüente em listas de discussão ligadas a jornalismo na web e webwriting de modo geral:

Por que webwriter e não redator de web?

Esta não é – ou pelo menos não deveria ser – uma questão relevante. Contudo, vale um comentário: embora o profissional que cria conteúdo exclusivamente para a web possa em diversos momentos (conforme demonstrado acima) ser associado a profissionais de áreas externas à internet, há um momento em que seu trabalho se dissocia dessas áreas e assume características próprias, exclusivas desse meio.

Daí a criação de um neologismo, ou seja, uma palavra nova, criada unicamente para distinguir o profissional que trabalha exclusivamente escrevendo para a web do jornalista, que presta um serviço praticamente idêntico que àquele que executa normalmente para outras mídias.

Utiliza–se mais o termo em inglês simplesmente pelo fato de que ele é menor e define de modo sucinto a função deste profissional, ou seja, alguém que escreve para a web. Para os mais puristas, o termo redator de web pode ser utilizado, ainda que não signifique exatamente a mesma coisa (o redator do texto nem sempre é o criador do conteúdo propriamente dito).
De mais a mais, não podemos nos esquecer que a palavra repórter, por exemplo, vem do inglês reporter, ou seja, aquele que reporta, que relata.

O termo webwriter, portanto, é um caso em que a praticidade supera o preconceito.

Só para fechar – por ora – a discussão de termos: outra palavra que vem sendo muito utilizada nos últimos tempos para tentar definir o criador de conteúdo para a web é conteudista.

Ainda não ficou bem claro a que exatamente ele se refere, nem se é usado de forma boa ou má. Pode parecer um julgamento subjetivo, mas soa restritivo e pejorativo – como o termo marketeiro para definir o profissional de marketing.

Mas as definições acima não devem servir para tolher você em sua definição pessoal, e sim para uma orientação.

Como a profissão ainda é nova, muitos criadores de conteúdo preferem se apresentar simplesmente como redatores e ponto final – o que não deixa de ser elegante e discreto. O mais importante é que você esteja bem à vontade com a definição que escolher.

Porque o nome de sua profissão é tão importante quanto a expectativa depositada nele por você – e seus clientes. [Webinsider]

Para o redator sem experiência ou afinidade jornalística, uma boa pedida é Webwriting, do nosso colega Bruno Rodrigues, um livro enxuto que resume com precisão a técnica de escrever para a web.

O livro do Bruno é uma espécie de versão brasileira adaptada e condensada da bíblia Writing for the Web, de Crawford Killian, indispensável para quem lê em inglês – pois, incrivelmente, este livro ainda não foi traduzido para o português.
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