2011/11/29

Psicologia Positiva


As contínuas reflexões do homem sobre si mesmo, a vida, as emoções, as razões da existência, do nascimento e da morte deram origem à filosofia, reconhecido berço da psicologia.
Essas raízes remontam à Grécia Antiga, quando o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) produziu o rico escrito Acerca da Alma.
Nela encontramos uma exaustiva compilação dos conhecimentos do seu tempo, mas também, uma filosofia que ainda hoje influência a nossa maneira de pensar. No qual reside a raiz etimológica psykhé (alma), mais o sufixo logos (razão, estudo). 

Portanto, a proposta original da psicologia foi estudar e compreender o espírito. Porém, os limitados métodos científicos dos séculos passados favoreceram o distanciamento da psicologia em relação ao estudo do “não palpável”. Mas, atualmente, uma recente pesquisa mostrou que os principais temas discutidos em psicoterapia de indivíduos americanos abordavam, em especial, quatro aspectos: o trabalho, a família, os amigos e a sexualidade. E a surpresa: a religião e a espiritualidade foram consideradas temas de igual importância. Contudo, nem todas as abordagens encontraram um ajuste do tema em suas intervenções terapêuticas. 

Partindo desse princípio, postulou-se que o cliente deve ser visto como o fator comum mais importante na psicoterapia, trazendo o conceito de “resiliência” – capacidade de atravessar dificuldades e voltar à qualidade satisfatória de vida – para argumentar que os clientes, e não os terapeutas, são os curadores. 

Assim, em um estudo realizado em 2003, a resiliência e os fatores de ajustamento que se seguiram aos eventos estressores foram mediados pela experiência de emoções positivas, tais como solidariedade, gratidão, interesse e amor.
A contribuição de práticas espiritualistas, como a meditação e a oração, também exerceu um papel ativo no desenvolvimento de mecanismos de superação psicológica. Por fim, a confiança subjetiva manifestada pela crença em um Deus amado e responsivo influenciou positivamente a resiliência de indivíduos que atravessaram enfermidades graves.
Dessa forma, concluíram que o fator crucial ao desenvolvimento da resiliência está em como os indivíduos percebem sua capacidade de lidar com os eventos e controlar seus resultados. Ou seja, a percepção de si mesmo. 

Como primeira resposta, tem-se a Psicologia abordando essas questões dentro de um novo movimento científico intitulado Psicologia Positiva, que, nessa nova proposta científica, promete melhorar a qualidade de vida dos indivíduos e prevenir as patologias. 

A Psicologia Positiva está, pois, em pleno processo de expansão dentro da ciência psicológica, iniciada por Martin Seligman, em 1998, possibilitando uma reavaliação das potencialidades e virtudes humanas por meio do estudo das condições e processos que contribuem para a prosperidade. De acordo com essa nova visão, o conhecimento das forças e virtudes poderia propiciar o “florescimento” das pessoas, comunidades e instituições. O termo florescimento tem sido bastante utilizado na Psicologia Positiva, sendo definido como uma condição que permite o desenvolvimento pleno, saudável e positivo dos aspectos psicológicos, biológicos e sociais dos seres humanos. É estado no qual os indivíduos sentem uma emoção positiva pela vida, apresentam um ótimo funcionamento emocional e social, sendo que indivíduos considerados em pleno florescimento são aqueles que vivem intensamente mais do que meramente existem. 

É uma abordagem que se ocupa com processos de coaching, clínicos terapêuticos e com ambientes positivos, tais como a escolarização positiva e o trabalho gratificante. Tem crescido consideravelmente nas áreas de intervenção da educação, social, saúde, comunitária, bem como nas organizações. A sua linha de investigação tem vindo de encontro à abordagem sistêmica. 

Destacam-se as pesquisas sobre processos psicológicos positivos tais como: bem estar subjetivo, felicidade, otimismo, esperança, resiliência, gratidão, experiências de fluxo, espiritualidade, relacionamentos positivos e outros processos associados à saúde humana.

Finalmente, nos anos sessenta, a contribuição dos psicólogos humanistas ampliou a compreensão do caráter positivo. Estudos, cujo interesse era ir além dos sintomas da depressão e do estresse, com inclusão de temas como felicidade e satisfação com a vida. Nesse sentido, a Psicologia Positiva é um vasto campo instigador, em plena fase de expansão mundial, que desafia estudantes, pesquisadores, terapeutas, gestores organizacionais, gestores educacionais e trabalhadores a seguir novos caminhos para efetivação de medidas eficazes que visem a qualidade de vida e a promoção de fatores relevantes ao bom nível do estado de saúde biopsicossocial positivo. 
E assim, quem sabe, passamos a compreender melhor, o objetivo de Aristóteles...



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua opinião é muito importante para nós deixe seu comentário !