2011/01/14

Fabio Ros - Almoço de Quermesse

É só falar em quermesse que já me vem muitas lembranças saborosas. Meus pais sempre foram muito católicos e se envolviam em várias comissões da paróquia.
Meu pai, por exemplo, foi coordenador da comissão de festas por muitos anos, durante as décadas de 80 e 90. A Paróquia organizava todos os anos, para levantar fundos para a construção da igreja nova, várias quermesses, festa do sorvete, festa do cuscuz, festa junina, festa do padroeiro, mas de todas as festas, independentemente do tema, o almoço era algo especial.



Eu acabava indo ajudar o meu pai, porque era muito legal e assim eu via como se faziam as comidas para eu tentar fazer em casa. O cardápio era algo fantástico: arroz branco, macarronada à bolonhesa, cuscuz de frango, batata frita, bisteca assada na churrasqueira, frango assado no forno à lenha, pernil no vinagrete e salada de tomate, alface e cebola. Quem resistia? Eram servidas porções generosas e ainda sobrava para a janta do domingo e o almoço da segunda, mesmo sendo nós uma família com cinco pessoas.

A forma como eram preparados os pratos me encantava. Os frangos ficavam marinando num tempero cheio de ervas desde a sexta à noite, assim como as bistecas e o pernil. No domingo, já de manhãzinha, lá pelas 5 horas, os homens começavam a acender o forno e a churrasqueira, enquanto as mulheres iam preparando o molho de tomate, cortando as batatas, escolhendo o arroz e preparando a vinagrete. Todo mundo que trabalha era voluntário e os ingredientes eram arrecadados na vizinhança. Assim que os frangos saiam do forno, a gordura deles era reservada para o preparo do cuscuz e também pra fritar as batatinhas. Em panelas enormes, eram preparados o arroz e cozido o macarrão tipo espaguete. O cuscuz era enformado em formas de lata, bem velhas e engorduradas, com ovos cozidos, ervilhas e tomate.

As 11h horas o almoço começava a ser servido, as famílias iam chegando e a dupla sertaneja começava a tocar. Para beber, caçulinha, guaraná Brahma e cerveja Brahma. Ainda tinha venda de rifas e sorteio de leitoa, frango assado e outras prendas doadas pelos fieis.

Na nossa mesa o prato mais disputado era o frango assado. As asas eram da minha irmã, as sobrecoxas da minha mãe, as coxas do meu irmão, eu ficava com parte do peito e uma das coxinhas da asa, enquanto meu pai ficava com o curanxim e o que sobrava.

Nunca comi o arroz, porque sempre achei q macarronada e arroz não se misturam e eu sempre preferi a macarronada. O cuscuz era uma maravilha, quase um quarto dele eu comia sozinho. O pernil com vinagrete eu comia de vez em quando. Já a bisteca, também nunca comi. Achava o aspecto dela estranho, não tinha cara de comida. Acredito que desde essa época eu já era vegetariano, mas inconsciente.

Relembrar esta passagem da minha vida foi muito gostoso, hoje em dia não sei se existem mais esses tipos de almoços, meus hábitos alimentares mudaram bastante, mas vale a lembrança.

Sempre que comemos felizes, 
seja em família, com amigos 
ou mesmo sozinhos, fica um registro
e o link pode ser um prato ou um a receita inesquecível.

Saúde, harmonia e prosperidade a todos. Até a próxima semana. Gratidão.
Fabio Ros



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